Por: Mako Abe

Devo dizer primeiramente que foi disparada uma das experiências mais incríveis que já tive.

E gostaria muito de compartilhar essa experiência, pois que maneira melhor de desmistificar isso pro leitor do que eu mesmo ir lá e estudar como tudo funciona e ter as experiências  que o chá proporciona.

Nessa minha segunda jornada para experimentar o daime o meu amigo Paulo Castilho me levou para Jarinu, uma cidade próxima de São Paulo, e infelizmente chegamos atrasados.

O lugar que o ritual acontecia era em uma casa construida para esse intuito no meio do mato. Chegamos lá e já tomamos o chá, uma versão mais forte e maiordo que a ultima e primeira vez que tomei, aproximadamente uns 250 ml.

Meditamos um pouco, e rapidamente fechar os olhos já era diferente, comecei a receber imagens de obras de arte, mas que não me marcaram muito.

Depois de uns 20 minutos comecei a ter pensamentos negativos, podres, sexuais, os pensamentos invadiam a minha cabeça, e em um momento eu percebi que passaria mal e minha confiança que adquiri na primeira vez foi-se, e me fiz andar para o banheiro calmo, de alguma forma sabia que no momento exato que eu entrasse no banheiro eu iria vomitar.

Entrei lá atravessando todas as cadeiras, e infelizmente o banheiro de lá era escuro, o que potencializou minhas visões, pois já não precisava fechar os olhos para ver, 3 pensamentos negativos se seguiram, um pior que o outro, e percebi depois do segundo que o terceiro iria me fazer vomitar, pois o pensamento me trouxe um nojo, e ao vomitar me limpei inteiramente, e percebi que o que todo daimista fala de o vomito limpar você não era só uma analogia, era algo real, e eu senti.

Depois disso o mal estar já não era só uma sensação, a podridão se personificou num demônio negro com uma aura enorme e ele queria me prejudicar. Senti desespero. Tentei enfrentar ele, mas imagino que fiquei mais de uma hora dentro do banheiro, respirando que nem um javali, me senti dentro de uma floresta extremamente ofegante.

Estava me sentindo exausto por resistir a esse ataque psíquico de um demônio, até pedi ajuda, pois realmente eu estava extremamente mal, e estava fazendo fila no banheiro. As pessoas que entravam no banheiro eu via máscaras demoníacas em suas faces, e uma delas que estava tendo sua experiência lá também, estava parado na frente do espelho durante 30 minutos, e cheguei a duvidar de sua existência física.

Fiquei durante muito tempo passando mal, enfrentando o demônio, tentando acalmar minha respiração e lembrando dos ensinamentos que aprendi na minha vida, mas era forte demais, não estava preparado para vencer. Restava apenas sobreviver ao seu ataque. Ao me encontrar nessa situação escrevo uma mensagem pra minha namorada que tinha ido pela primeira vez que “foi demais pra mim”.

Pensei em desistir, mas depois retomei minhas energias e voltei ao ritual. Ainda não muito confiante com meu estado.

Fiquei primeiramente sentado do lado de fora, e uma mulher ao me ver mal, toca no meu braço e me fala que vai ficar tudo bem, ao fazer isso o seu contorno se torna turvo e colorido, conseguia ver um resquício de sua aura, e sentia ela me ajudando de alguma forma, e agradeço a atenção que ela me deu. Percebo que sou o cara que está pior no ritual.

Ao voltar para meu lugar começo a pensar em como o Paulo Castilho adquiriu uma atitude correta, a que todo o ser em equilíbrio deve buscar, e uma sensação de agradecimento por ele ter aparecido em minha vida surge em mim.

Em seguida eu começo a receber mensagens e insights, percebi o quão sujo fica a alma se você faz qualquer malandragem pra se dar bem, um vida sem nobreza e honestidade tem um grande custo para o nosso ser, a alma fica podre, fétida, e depois de ver esse demônio da podridão e sentir seu ser de perto eu decido que nunca mais quero ser alguém que se dá bem em qualquer momento, pois a poluição adquirida nessas atitudes são repugnantes demais.

Ao lembrar do demônio me vem a compreensão de que ele talvez tenha sido colocado ali pra mim justamente para me fazer me sentir pequeno, e passar mal, pois na minha primeira experiência eu fiquei vendo as pessoas vomitarem e defecarem no banheiro e ficava pensando: “ como assim essas pessoas estão tão mal assim“, senti vergonha por eles, e eu passei por tudo isso, e ainda não consegui derrotar o demônio por mais que tentasse muito.

Foi a maior lição de humildade que tive.

E curiosamente humildade é o nome da primeira lição do livro de e ficção que estou lendo, alias, recomendo a todos a os buscadores, “Paz Guerreira“.

Mas tudo isso junto amarrou toda a experiência que tive no dia, e foi um êxtase absurdo perceber tudo isso em questão de segundos.

Enquanto experienciava  isso minhas mãos continuavam meio travadas, mas percebi o valor que isso teria escrito, e começo a anotar com muitíssima dificuldade no meu tablet, pensar e mover se tornaram atitudes desafiadoras.

Depois de um tempo já me sentia bem, mudado, leve, parecia que o demônio levou toda a parte negativa de mim, e até hoje penso assim, apesar da sensação ter ido diminuindo até desaparecer.

Por mais que a sensação ao encontrar o demônio tenha sido de desespero total eu sabia que alguns xamãs tinham que andar para a floresta para morrer e renascer como xamãs e encarei isso como um desafio para a alma, e tive minha recompensa no final.

Com certeza minha vida se dividiu a partir desse ponto, pois realmente foi umasessão de terapia EXTREMAMENTE intensa.

Depois disso tudo, comemos e fomos embora, e fico sabendo que demônios atacam muitas pessoas, e fiquei feliz em ter lido castaneda, ele me deu uma maturidade minima para experienciar isso tudo.

Obrigado Paulo Castilho pelo carinho e bondade em me receber.

http://destruidordedogmas.com.br/minha-segunda-experiencia-com-o-daime-ou-melhor-a-ayahuasca/