Por:  marcelodalla@hotmail.com

Há muitos anos nutria a vontade de experimentar o Daime. Em nome da busca espiritual, da expansão da consciência e também da simples curiosidade de geminiano. Os amigos antroposóficos diziam que não, que a iluminação deve ser atingida sem artifícios. Eu perguntava ao meu Eu Superior. Se fosse pro bem, pra Luz, se fosse bom pra mim, que a oportunidade surgisse naturalmente.
E foi o que aconteceu. Semanas atrás um amigo querido me avisou que iria acontecer uma reunião do grupo dele no dia 07 de agosto. Achei muito significativa a data, bem no dia da tão falada cruz planetária! Marquei uma entrevista com o líder do grupo, que me explicou como seria realizado o ritual, me informou detalhes e cuidados que deveria tomar.
Sincronicidade incrível: no dia em que marquei a reunião, um cliente me ligou pra marcar uma consulta de mapa astral. Queria o mesmo dia e horário. Expliquei que não podia, pois já havia marcado uma reunião naquela data, no endereço X. Pasmem: o apartamento do interessado era na mesma rua! Quem conhece o tamanho de São Paulo sabe que não é “coincidência” pouca. Pois fui para a reunião e depois atendi a consulta na casa do cliente mesmo. O fato é que sábado chegou e eu estava convicto de que fazia a coisa certa. Sabia que a turma do astral havia preparado tudo pra que eu vivesse essa experiência.
Fui muito bem acolhido pelo grupo. Todos simpáticos, amorosos. Não faziam parte de nenhuma “seita” específica. Disseram-me que naquele dia cantariam um hinário (conjunto de músicas) intitulado “Caminho da Estrela” canalizado por Vinícius Santos Rocha, para todos os Seres de Luz do Universo.
E lá estava eu, me sentindo em casa. Os homens sentados de um lado, as mulheres do outro. Após tomar o Daime, ou ayahuasca, começamos a cantar. A primeira coisa que percebi foi meu chacra frontal. Parecia que ele saltava pra fora da testa. Depois, uma onda arrebatadora da “força”, como chamam.

É muito forte, realmente, e eu me entreguei. Sabia que estava com a Luz e que nada iria me fazer mal. Pra quem nutre uma série de medos, é bem provável que essa sensação cause pânico. De fato, é o que acontece com muitos que não estão preparados.
Pois eu digo: pra mim foi DIVINO. Palavras são muito pouco pra expressar a série de insights que tive. Senti o que é a quinta dimensão. A beleza, a magnitude da Criação. Senti o que é a Criatividade e o Amor ilimitados. É muito júbilo, um amor e um êxtase que não cabiam dentro de mim.
Uma coisa é aprender teoricamente, o saber “mental”. A outra é sentir no coração. Eu sempre fui muito mental. Tinha que explicar racionalmente tudo, duvidava de algumas coisas. O ego é assim. Cheio de “achismos”, de opiniões formadas. Pois o que essa medicina faz é sacudir o ego pra lá. Como que a dizer: – Você acha que sabe tudo, que é o dono da bola? Pois então sinta!
E eu senti, no fundo da minha alma. A simplicidade, a festa, a beleza infinita do Universo. Tudo é sagrado e nós somos divinos. Os mestres estão lá na frente nos dizendo: – Venham! Aqui é maravilhoso! Venham logo! E nós perdemos tempo com as ilusões do ego. Com bobagens. No fim, é tudo uma grande piada.

Esse fim de semana realmente foi muito significativo pra mim. Abençoado poder da natureza! Abençoados os índios xamãs que em sua conexão e sabedoria descobriram essa poção mágica.
“AHO MEUS IRMÃO DE FÉ
TOMEI CHACRONITA, AYAHUASCA, YAJÉ
A FORÇA ESTELAR NA FLORESTA
CURA DE PAJÉ
É MEDICINA ANCESTRAL
ESPÍRITO SANTO QUE VEM NOS CURAR
ELEVA NOSSA CONSCIÊNCIA AO REINO DO ASTRAL
ESSÊNCIA DA LUZ SOLAR
NO PLANETA TERRA VEM TRABALHAR
COM TODOS OS SERES DIVINOS PRA NOS GUIAR”
Cantamos pra Fraternidade Branca, pra Umbanda e os Orixás, pra Jesus, Miguel, Maria, Ashtar Sheran, pra Shiva e a Linha do Oriente, pra Sanat Kumara, tudo junto. Encantado com as letras do hinário, de uma simplicidade e sabedoria profundas.

Pensei em todas as pessoas queridas (como eu queria que sentissem o que eu sentia) e também nos desafetos. Percebi como não vale a pena guardar mágoas e ressentimentos. Simplesmente eu não conseguia sentir raiva nem rancor por ninguém naquele momento e um profundo perdão aconteceu. Limpeza.
No fim terminamos com a oração mais linda de todas: a de São Franscisco. Amo essa oração e dessa vez a cantei com toda a força do meu coração.
“Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.”

Amigos, queria muito compartilhar essa experiência com vocês. É uma alegria indizível. Sinto-me feliz e grato por esse presente que recebi do Universo, com o coração abarrotado de esperanças renovadas. Tô mais consciente da minha missão, do meu propósito e sinto mesmo que de agora em diante posso tomar decisões mais acertadas.
Fiz uma rápida pesquisa no Google antes de escrever este relato e vi muito preconceito em relação ao Daime. Encontrei o que já disse: egos que se acham donos da verdade. Contudo, “conhecer” antes de falar seria a posição da mente verdadeiramente esclarecida, não acham?
Descobri também alguns artigos e blogs positivos, como estes:
“Toda elevação é uma expansão, mas nem toda a expansão é uma elevação! Penso que deveríamos estar muito conscientes disso; caso contrário, estaremos perdendo o alvo por quilômetros de distância. E pior: sem nem sequer perceber!!! E sem isso, a expansão vira fantasias do ego, devaneios incapazes de trazerem progresso consistente. Tem gente que só quer olhar as estrelas e contemplar o belíssimo silêncio do universo. Mas eu pergunto: isso faz delas pessoas melhores na prática? Se faz, então isso é elevação da consciência. Senão, é uma contemplação ou um prazer passageiro, mais um fenômeno da impermanência da vida…
 
Expansão sem Verdade não é Elevação.
Expansão sem Luz não é Elevação.
Expansão sem Amor não é Elevação.
Expansão sem Sabedoria não é Elevação.
Expansão sem Justiça não é Elevação.
 
Aí então, por acréscimo, seremos felizes, prósperos e pacificados”.
Giancarlo Salvagni
Enfim, cada um que siga seu caminho, guiado pelo coração e pela intuição. Poderia escrever muito mais, mas fica pra outros posts. Sou um comunicador, amo este blog, amo o trabalho que faço e amo vocês. Espero que essas pobres palavras tenham traduzido pelo menos um pouquinho de tudo o que aprendi com essa experiência. Espero também que eu consiga logo atingir o êxtase e a iluminação sem fazer uso do Daime, mas que ele me ajudou… ah… ajudou sim!
Gratidão, gratidão, gratidão!