Por: Janine Milward

Saturno nos revela o nosso Caminho de Encarnação, nosso(s) Trabalho(s) a serem realizados dentro da encarnação nesta Terra, Estação de Trabalho e de Iluminação. Assim, Saturno nos revela nosso(s) Karma(s) que devemos vivenciar nesta vida nos apontando o como e onde e quando devemos resgatar e vivenciar de maneira mais intensa nossos Karmas e nossos Samskaras.

Karma é ação e sua potencial reação, pode ser denominada de Samskara.

É sempre através de Saturno natal e de Saturno em trânsito que encontramos os lugares onde temos que concretizar nossa vida dentro do Planeta Terra e realizarmos nossas missões de vida. E certamente, é dentro também dos lugares – as Casas astrológicas – onde encontramos o signo de Capricórnio que estaremos concretizando nossas missões de vida de acordo com os ditames desses Cenários, fundamentalmente aquele que tem sua entrada estabelecida por esse signo estruturador de nossa passagem no Planeta Terra, em termos públicos e sociais.

Saturno é o Senhor do Umbral porque nos traz limites! Esse limite não é somente imposto pelo fato de que o Planeta Saturno, dentro do céu objetivo da astronomia, é o último planeta por nós visto a olho nú, com vista desarmada, sem instrumentos. É verdade sim, que de Plutão ao Sol, é sempre Saturno o último Planeta a ser visto a olho nú; e da mesma forma, do Sol até Plutão: por isso ele é chamado de Senhor do Umbral.

Mas o Senhor do Umbral possui outros ditames, em si mesmo: ele nos diz claramente que a Terra é um Planeta de Trabalho e de Iluminação e que é aqui, dentro de nossa encarnação propriamente dita, dentro do nosso corpo físico onde nos encontramos com nossa Alma aliada ao nosso Ego, que podemos realmente, dentro da materialização plena, exercermos nosso Trabalho e nossa Iluminação e mais, nossa Liberação ou Imortalidade.

É aqui, na Terra, que vamos resgatando e vivenciando nossos Karmas e Samskaras – ações e reações em potencial – e vamos cultivando nosso Dharma e conseqüente livre-arbítrio, até que finalmente, após um número imenso de encarnações, possamos nos tornar aquilo que conhecemos como Semente que não nasce de novo, ou Semente Queimada, ou seja, um Bodhisattva, um ser que não mais tem Karmas nem Samskaras negativos a serem resgatados e vivenciados e finalizados!

Então, Saturno vem nos apresentar, dentro do seu posicionamento em nosso Risco do Bordado, nosso lugar de maior atenção e concentração em relação ao conjunto de Karmas e Samskaras a serem vivenciados e resgatados em nossa vida, hoje, trazidos de nosso passado.

E ao longo de seu Trânsito através nossas Doze Casas Astrológicas – ao longo dos Ciclos Saturninos através dos vários Aspectos que vai formando consigo mesmo e com todo o Baile de Arquétipos em nosso Risco do Bordado, Saturno vai nos relembrando, concretamente, se estamos cumprindo com nossas missões dentro daqueles Cenários que acolhem aqueles Arquétipos e que não nos esqueçamos, um minuto sequer, que o tempo passa e anda sempre para frente… é por isso que Saturno também é o senhor do tempo. Saturno quer que cumpramos nossas missões de encarnação, para que não percamos tempo, para que ganhemos essa encarnação, para que ajamos com seriedade e com compromisso em relação ao nosso Risco do Bordado e suas metas a serem bem realizadas, nessa vida.

Por tudo isso, sempre encontraremos em Saturno e em Capricórnio nossos lugares de maior responsabilidade, de maior seriedade, de maior necessidade de boa estruturação e de boa concretização de nossos valores pessoais e sociais e planetários.

Há, então, quem diga que não é nada fácil vivenciarmos nosso Saturno e nosso signo de Capricórnio em nosso Risco do Bordado; há quem diga que tudo isso é nosso Karma pesado (pois de uma forma geral as pessoas pensam que a palavra Karma quer dizer obstáculo, trabalho pesado, resgate pesado….). Eu diria que essas afirmações não são inteiramente verdadeiras, assim eu penso. Acho que as pessoas se referem com muito medo em relação ao Saturno e ao Capricórnio em suas vidas porque vivenciam suas vidas apenas dentro de um ponto de vista saturnino e capricorniano bem superficial, calcado no medo e na apreensão de que Karma é apenas obstáculo e negatividade! Acho que essas pessoas vivem porque simplesmente estão vivas e não se incomodam em aprofundarem-se em seus auto-conhecimentos e em suas espiritualidades, sem exatamente se incomodarem em saber o porquê de suas encarnações no Planeta Terra, quais são suas missões a serem aqui cumpridas. E mais: penso que as pessoas que permanecem ligadas apenas em seus cotidianos de vida, dentro da efeméride dessa vida de aqui-e-agora, dessa encarnação atual, estão atuando suas vidas somente dentro do conceito de suas Personas, suas máscaras, digamos assim, e em seus Egos.

Quando as pessoas estruturam suas vidas apenas dentro de suas Personas e em seus Egos, elas compreendem a vida somente dentro das possibilidades de sua materialização, não acessando suas Almas e menos ainda, seus Espíritos.

E é certo que sabemos que encontraremos sempre em Saturno e em Capricórnio as asserções de que estamos encarnados, materializados no Planeta Terra e aqui temos que cumprir nossas missões de vida ditadas por nosso Risco do Bordado como um todo e fundamentalmente, a partir dos posicionamentos em signo e em Casas astrológicos onde o Senhor do Tempo e do Umbral e o signo da concretização planetária se encontram!

Porém, se é certo também que é preciso estarmos encarnados em um Planeta de plenitude de materialização para que possamos exercer nosso Trabalho pessoal e social e planetário como também para que possamos nos colocar em nosso Caminho de Luz de mente infinita e iluminada e de vida infinita e iluminada!

Sabemos que luz é matéria. Sendo assim, Saturno e Capricórnio nos mostram o lugar da matéria onde temos que concretizar nossa encarnação no cumprimento de suas missões para que possamos, então, encontrar nossa luz e traze-la para nossas vidas.

Srii Srii Anandamurti sempre nos diz:

A meta de vida humana é se fusionar a Paramapurusa, a Deus, ao Tao da Criação.

Para que esse fusionamento possa acontecer, é preciso que, antes de mais nada, saibamos galgar nossa Mandala Astrológica até nossa Casa Dez – lugar correlato e natural ao signo de Capricórnio e ao arquétipo de Saturno.

Para que alcancemos nosso Meio do Céu e nossa Casa Dez, precisamos vivenciar intensamente todas as nove Casas anteriores, isso é certo, e fazermos isso através nosso próprio esforço pessoal – tenhamos a ajuda de um mestre de matéria ou um Mestre espiritual, ou não.

Eu sempre gosto de dar como exemplo do Meio do Céu e da Casa Dez e de Capricórnio e de Saturno, trazendo a imagem da belíssima montanha do Corcovado, acolhendo, em seu cume, Mestre Jesus. (Mestre Jesus é sempre um grande exemplo para nossas vidas, não é mesmo?)

A questão é, mesmo que tenhamos ajuda materializada ou ajuda espiritual para escalarmos montanha escarpada acima…, sempre teremos que fazer isso através nosso próprio esforço pessoal. Portanto, precisamos de amadurecimento e de tempo de forma que nossa longa jornada vá nos oferecendo seus obstáculos para que sejam por nós superados – os chamados Karmas e Samskaras.

Lao Tse, o Mestre do Tao, nos diz em seu Capítulo 64:

Uma longa jornada começa com o primeiro passo.

Essa longa jornada pode ser assumida dentro de uma mesma encarnação…. ou através um número imenso de vivências sucessivas.

E acontecem encarnações e mais encarnações, eu diria, que tentamos e tentamos fazer essa escalada sim, mas nos assemelhamos mais ao mito de Sísifo – que rolava durante o dia pedra montanha acima, e à noite, essa pedra novamente descia a montanha…. Aqui encontraremos, então, a imagem das questões dos Karmas e dos Samskaras negativos – ações e reações em potencial – de resgates de vidas passadas acumuladas para serem vivenciadas nessa vida ou também de resgates já dessa nossa vida de aqui-e-agora!

Porém, é realmente possível um belo dia alcançarmos o cume da montanha do Corcovado, sem dúvida alguma. Ali, não somente poderemos observar o Mestre Jesus bem mais de perto… como também sua imagem nos diz que estamos em bom momento de realização e de concretização das metas de nossa vida!

Lao Tse nos diz, em seu Capítulo 53:

O Grande Caminho é bem tranqüilo
Mas os homens gostam bastante de trilhas.

E o que mais aprendemos além de sabermos que podemos nos tornar tão Mestres quanto o próprio Mestre Jesus? Aprendemos que dali do cume do alto da montanha que nos apresenta a visão majestosa da cidade e dos campos habitados pelos demais homens…., aprendemos que devemos encetar nossa caminho montanha abaixo!

O que encontraremos, então? Encontraremos o lugar do grande social, de nossa atuação social e planetária ditados pela Casa Onze.

Outra questão que também encontraremos ao alcançarmos o cume de nossa Mandala Astrológica: teremos a total certeza de que é dentro da Terra e de sua materialização e de seus limites concretizados…, que é encarnados em nossa Mãe-Gaia, que encontraremos nossa visão além da concretização óbvia da vida e nos colocaremos em expansão de nossa consciência, de nossa mente e de nossa vida!

Portanto, ao descermos para nos introduzir na Sociedade e na vida planetária, temos a consciência da necessidade de bem concretizarmos nossas missões de encarnação e de bem dizermos a todos do Planeta sobre essa necessidade! Ao fazermos isso, já estamos ultrapassando os limites impostos pelo Capricórnio e pelo Saturno, pelo Meio do Céu e pela Casa Dez, pelo Tempo e pelo Umbral!

Essa ultrapassagem dos limites impostos por Saturno e por Capricórnio, pelo Tempo e pelo Umbral, nos acontece a partir do nosso Despertar de Consciência. Estaremos, pois, prontos para atuarmos nossa Casa Onze e dizermos a que viemos dentro do Planeta Terra através de nossa ação social em relação ao Planeta e aos seus habitantes, de forma agora inteiramente indiferenciada, privilegiando a liberdade, a igualdade e fraternidade.

Depois, podemos então, trazer as conclusões de nossa vida através nossa entrada em nossa Casa Doze: aqui podemos nos recolher a nós mesmos através nossa busca de nosso Caminho da Iluminação ou podemos continuar em nosso Trabalho e em nosso Serviço em relação ao nosso Outro e estruturados por nossa imensa e real compaixão.

Dentro da Casa Doze, nos diluímos em nossas Máscaras e em nosso Ego e nos recolhemos em nossa Alma e em nosso Espírito, já prontos para imersão sublime com o Divino, nosso retorno à nossa verdadeira casa junto ao Tao da Criação – ao mesmo tempo já gestando nosso retorno à encarnação, fato esse que acontecerá através do Ascendente e da Casa Um que nos trazem um novo ciclo de vida, uma nova vida.

COM UM ABRAÇO ESTRELADO,
Janine Milward