O vento sopra, a porteira balança, a boiada passa;
Ê boi; sigo laçando meu gado;
Os campos montanhosos, as nuvens de poeira; tudo faz parte do meu caminhar;
Ê boi;
Quando um garrote cai na ribanceira, não penso duas vezes, me ponho a lutar;
Meu laço é certeiro; pego o boi pelo chifre, domino o bicho;
Vou guiando minha vaquejada, tocando meu berrante;
Um boiadeiro é homem solitário. Viaja muitas léguas tocando seu gado;
Na Aruanda, se ouve de longe o berrante do boiadeiro;
Não tem porteira que não se abra;
Não tem touro bravo que não se renda;
Boiadeiro atravessa o dia, a noite, passa por rio de piranhas e por caminhos estreitos;
Mas o gado é guiado e chega até seu destino;
Só não chegam aqueles que se desgarraram;
Que não ouviram o som do seu berrante, ou não quiseram ouvir;
Xetuá Seu Boiadeiro;
Guia-nos pelos caminhos, pelos campos e encruzilhadas da vida;
Guie, na proteção de Olorum, sua boiada, Boiadeiro das Sete Encruzilhadas.

Ronaldo Figueira