Imagine se você fosse um caboclo, como você agiria para ajudar alguém que precisa de uma promoção no trabalho e um amor em sua vida?!
Você ficaria do lado da pessoa, soprando em seu ouvido aquilo que agrada seu (sua) protegido (a).
Visualizemos uma situação em que você fez de tudo para que um de seus protegidos alcançasse a tão sonhada promoção. Você (na condição de caboclo) foi até o emprego de seu pupilo, posicionou-se ao lado do chefe o dia inteiro e durante todo o tempo, com todas as suas forças colocou na cabeça dele para quem ele deveria dar a promoção.
Claro que diante de tanto empenho não poderia o pobre homem promover outra pessoa.
Após isso, eis que surge em sua frente outro caboclo, seu colega de trabalho. Daí então ele conta a seguinte história:
_ Estou protegendo um pobre homem injustiçado há anos. Todas as tentativas de sucesso não foram concretizadas por razões alheias ao seu merecimento. No entanto, após batalhar muito, quando estava prestes a conseguir a tão merecida promoção, você aparece e faz com que aquilo que estava programado para ser de um passe a ser de outro. E agora, como ficamos?!
Claro que a situação acima é fictícia, pois um caboclo, ou qualquer outro guia jamais trabalharia assim.
Mas após esse insight que tive, passei a pensar: e se fosse você um caboclo. Como agiria?!
Talvez estejamos muito longe de alcançar a sabedoria de um espírito guia. Mas não estamos tão longe de entender como funciona a dinâmica no plano espiritual.
Não podemos dizer que os guias não nos ajudaram. Invariavelmente, não podem ultrapassar a barreira da cosmoética, isto é, do que é moralmente conceituado pelos espíritos como sendo um padrão de conduta a ser adotada por todos.
Aqueles que ainda conhecem pouco a Umbanda, acreditam que basta ter um amigo espiritual e ele vai fazê-lo obter vantagens pessoais, como ser o primeiro a ser lembrado para preencher uma vaga de emprego, ou uma promoção. Acreditam também que as entidades são capazes de ficar tentando mudar a cabeça da pessoa amada.
O tempo obscuro em que as informações eram raridade e não se tinha ao certo uma exata noção de como nossas entidades trabalhavam já passou. Agora é hora de abrir os olhos para uma nova realidade. É preciso compreender, através do bom senso, como trabalham nossos guias.
Devemos acreditar que, de maneira ética e responsável, os trabalhos são executados, sem causar prejuízos à vida de ninguém, mesmo quando pedimos algo que por muitos é cobiçado.

Ronaldo Figueira