Temos muito a aprender com nossos irmãos afro brasileiros que foram retirados da Africa e vieram ao Brasil na degradante condição de escravos.
Hoje, pode-se ouvir os tambores do além ecoarem um grito de liberdade e vitória.
Mas quanto a nós, será que possuímos também nossas amarras e vivemos acorrentados em uma grande turbulência que pode ser chamada de senzala?!
Pois, bem, convido-vos a refletir sobre o assunto.
A sabedoria de um negro velho mirongueiro nos ensina que para nos desprendermos daquilo que nos acorrenta, devemos lutar para não nos tornarmos escravos de nossos próprios desejos.
O desejo; eis o seu senhor, seu feitor.
Aquele que lhe desfere os golpes de chibata e deixa marcas que jamais serão removidas.
O gosto pelo perigoso, pelo proibido e sensual, nos projeta a uma ilusão de satisfação que não demora a nos jogar nas grades da realidade. No entanto, bradamos por liberdade, queremos conquistas e vitórias.
Conquistas; seja no aspecto espiritual, sentimental ou profissional, só se concretizam para aqueles que são livres. Libertos de seus cativos sentimentos de culpa.
O autoperdão é uma das chaves que temos para abrir o cadeado da ignorância e nos fazer respirar ares de liberdade consciencial.
Mas para tanto, precisamos fazer um autoexame, a fim de identificar o objeto de nossos desejos. Há quem diga que só desejamos aquilo que não temos. Assim sendo, será que vale a pena qualquer esforço para ter algo que poderá nos satisfazer por tão pouco tempo?!
Todos anseiam por uma vida digna, isto é, equilíbrio material, paz de espírito, um grande amor e muita felicidade. Entretanto, estamos sempre batalhando por conseguir algo que possa completar uma felicidade que demora a chegar e não tarda a ir-se embora.
A vida exige de nós atitudes corajosas. Mas no mundo em que vivemos os conceitos acabam se invertendo e entendemos que coragem é partir rumo ao perigoso e desconhecido mundo das paixões. É se entregar aos sentimentos objeto de nosso desejo.
A vida é tão simples e nós, seres humanos, somos tão complicados. Complicamos tanto e fazemos com que nossos caminhos se fechem em uma senzala espiritual. Nosso ser nos faz reféns de nós mesmos. E quanto mais nos debatemos, mais parece que se apertam as correntes.
Não é fácil ser simples. Não é fácil superar os desejos e controlar a si mesmo rumo a uma vida dedicada ao espírito e suas verdades. A carne nos faz cairmos nas ilusões de que ser feliz é saciar todos os desejos que um mundo mortal pode nos dar. O resultado disso é uma prisão criada por nós mesmos. Uma verdadeira senzala.
Usemos o exemplo dos negros velhos afro-brasileiros, que superaram as dores do cativeiro. E hoje, tocam os tambores no além, bradando um grito de liberdade, exemplo a ser seguido por nós.
Que todos nós possamos nos libertar.
Ronaldo Figueira