Conforme artigo anterior, aonde escrevemos sobre a parábola do filho pródigo, cujo qual todos nós conhecemos, inclusive, é objeto de muitos comentários e observações, nos propomos neste instante, de tratar de um personagem pouco comentada nesta história, porém, serve como chave para um campo muito vasto de entendimento que vos convido a refletir.
Num primeiro momento, a análise inicial que fazemos sobre o nosso personagem, é a questão da inveja.
Fica claro logo de início, que seu irmão representa um sentimento invejoso que possuímos. Diga-se de passagem, quem nunca sentiu dentro de si estes dois irmãos, tanto um quanto outro?!
Para tanto, precisamos refletir sobre os conceitos de justiça. E logo surge a questão: _ justiça dos homens ou justiça de Deus? Em nosso mundo, as pessoas perderam sua crença no que é justo, afirmando não crerem na justiça dos homens, sendo que elas mesmas criaram seus próprios conceitos sobre o que é justo, senão vejamos:
Quando alguém faz menos do que nós, não achamos correto que receba a mesma recompensa. Costumamos nos comparar uns aos outros (quando melhor nos convém, é claro), para dizermos que estamos sendo vítimas da humanidade. Chegamos até a questionar a bondade de Deus ao ver um irmão mais feliz do que a gente.
Quando vemos uma pessoa ser promovida no trabalho, por exemplo, passamos a comparar nossas tarefas, a fim de dizer que nós éramos os merecedores de uma possível promoção. Ou quando vamos à casa de um familiar e o vemos de carro novo, achamos que Deus está o ajudando mais do que a nós mesmos.
Mas, voltando a nossa parábola, um homem honesto, trabalhador, cumpridor de seus deveres questiona seu pai sobre a postura que adotou ante ao filho rebelde que saiu, gastou, se divertiu e, ao voltar pra casa, foi aceito de braços abertos. E mais, foi lhe dada uma festa, coisa que seu irmão nunca teve.
Quantas vezes vemos um irmão ser abençoado com aquilo que tanto queremos e nunca tivemos?! Feliz daquele que se alegra das vitórias de seus semelhantes. E mais feliz ainda é aquele que reconhece os erros que cometeu, consentindo que já invejou e se sentiu injustiçado por lutar tanto para conseguir algo que supostamente, com facilidade, outros conseguiram. Feliz daquele que admite que um dia disse: _ por que faço tanto e o que me resulta é tão pouco?!
Ocorre que na maioria das vezes, negamos que este personagem existe dentro de nós. Adoramos o filho pródigo, identificamo-nos com ele; emocionamo-nos com ele e lembramos sempre dele. Mas quase nunca lembramos que esta história tem dois irmãos. É difícil admitir que os dois vivem dentro de nós.
Como o ser humano tem por hábito gostar de ser o coitadinho, há maior identidade com este. No entanto, nos pegamos muitas vezes questionando o próprio Criador sobre a bondade que recai sobre nossos irmãos.
Enfim, analisando a figura desses dois irmãos, podemos entender que mesmo com nossas dívidas, temos um Pai nos esperando de braços abertos. E, mesmo sendo cumpridores do nosso dever, não significa que merecemos “confetes” sobre aquilo que é nada mais que nosso dever. O fato de ter sido sempre um bom filho não lhe dá o direito de ganhar festas ou presentes. Ser bom filho é nossa obrigação.
Assim, antes de julgar o próximo, sabemos que o Pai ama a todos, até os desajustados. E estes não tem menos valor que os politicamente corretos.
Se há boas obras em seu currículo, continue, pois é sua missão. E aquele que não trabalha em razão de ganhar festas e presentes não tem nada para cobrar do Pai.
Ronaldo Figueira