ACULTOMANCIA – adivinhação por meio de agulhas. Para saber o número de inimigos que tens, deve-se colocar vinte e cinco agulhas num
prato, cuidando que nenhuma delas se cruze.Depois verte-se água encima
de uma altura prudente e todas as agulhas que fiquem cruzadas marcarão o número de inimigos.

AEROMANCIA – Adivinhação pelos fenômenos aéreos. É um ramo da astrologia, e a teratoscopia é uma divisão desta ciência. Os presságios são deduzidos a partir da interpretação dos espectros que aparecem nas nuvens. Francisco de La Torre-Blanca diz em seu Epit. Deliet sive de Magia (liv. I. cap. 20), post. Pictorium et Psellum, que a aeromancia é a arte de predizer, fazendo aparecer espectros no ar ou representando, valendo-se de demônios, os acontecimentos futuros numa nuvem como se fosse uma lanterna mágica.

ALECTROMANCIA – A arte de adivinhar por meio de um galo. A operação é feita da seguinte maneira: traça-se um círculo com carvão, dividindo-o em 24 porções iguais e colocando em cada qual uma letra do alfabeto. Um grão de trigo ou de milho em cada divisão e solta-se um galo que começará a bicar os grãos. Anotam-se as letras correspondentes e assim se obtêm as palavras sobre o que se quer saber.

Os adivinhos, querendo saber quem seria o sucessor de Valentiniano, empregaram a alectromancia, e o galo tirou as letras Teod… Quando soube do fato, Valentiniano mandou matar todos os adivinhos e personagens importantes que tivessem os nomes assim começados. Apesar dos seus esforços o cetro passou às mãos de Teodósio, o Grande.

ALEUROMANCIA – É um meio de adivinhação através da farinha. Coloca-se uma onça de farinha numa vasilha com água e mexe-se de vez em quando, dizendo estas palavras: abi ab incantamento venefico. Quando a farinha estiver depositada no fundo do vaso, tira-se o líquido e coloca-se a farinha úmida em um prato novo de estanho. Depois, dizendo as mesmas palavras citadas acima, retira-se a pasta e coloca-se ao sol, das 11 horas ao meio-dia e meia. Então, quase seca, a farinha mostrará certo número de linhas salientes ou côncavas, formando diversas figuras, cuja leitura fornecerá ao consulente o que quiser saber. A maneira de se ler está exposta no verbete cafeomancia.

ALFITOMANCIA – Adivinhação muito antiga por meio do pão de cevada. Quando nossos antepassados queriam conhecer o culpado, entre vários acusados, faziam cada um comer um tosco pedaço de pão de cevada. Quem o digerisse facilmente era inocente, mas o culpado era descoberto porque não conseguia engolir. Este procedimento empregava-se também nos chamados juízos de Deus, de onde vem este ditado popular- “Que eu me engasgue com este pedaço de pão se estou mentindo!”.

ALOMANCIA – Adivinhação por meio do sal. 0 sal foi considerado em todos os tempos como uma coisa sagrada. Entre os romanos era um mau presságio para o hóspede se algum convidado dormia sobre a mesa antes que tivessem retirado os saleiros. Hoje em dia, muitas pessoas consideram como um presságio funesto derramar sal na mesa ou fora dela, quando se está comendo. Para conjurar os maus efeitos que tal fato possa produzir, os entendidos dizem que se deve tomar um pouco do sal derramado com a ponta da colher e jogá-lo ao ar, por trás do ombro esquerdo, dizendo estas palavras: “Satanás, eis aqui a tua parte! Maldito seja; some!”.

Os cristãos também empregam o sal, em algumas cerimônias religiosas, como símbolo de sabedoria.

AMNIOMANCIA – Arte de adivinhar através da membrana que cobre algumas vezes a cabeça dos recém-nascidos. Esta palavra vem do grego amnios, nome dado pelos médicos à membrana. As parteiras costumavam adivinhar a sorte da criança pelo exame desta membrana: seria feliz se fosse vermelha, e desgraçada se fosse cor de chumbo. Os advogados antigos compravam estas pelicas por preços altos, acreditando que com elas teriam mais sorte em suas causas. Desta crença deriva o provérbio “nasceu empelicado”, usado para o homem que tem sorte.

APATOMANCIA – Adivinhação por meio das coisas que se vêem na hora. A este gênero de adivinhação pertencem os presságios, fundados no encontro de uma lebre, a passagem de uma águia no ar etc.

BELOMANCIA – Adivinhação através de flechas muito usada por todos os povos da antiguidade. Dificilmente se empreendia uma expedição guerreira sem antes consultar os augúrios belomânticos. Na atualidade o processo ainda é usado pelos árabes, que empregam três flechas com três inscrições diferentes: colocadas num saco, a primeira que for tirada dá a resposta pedida.

BIBLIOMANCIA – No princípio foi usada para esclarecer os casos duvidosos com respeito à culpabilidade ou inculpabilidade das pessoas envolvidas em processos de bruxaria. A prova era feita assim: colocava-se o suspeito num dos pratos de uma grande balança. No outro, a Bíblia. Se o peso da pessoa fosse maior do que o do texto, ela era culpada. Por este processo podemos ver que por mais volumosa que fosse a Biblia, o sujeito nunca era inocente.

Também recebeu o nome de bibliomancia um sistema adivinhatório que consiste em repassar as folhas de uma Bíblia com uma agulha de ouro e tomar a primeira palavra escrita na página que fique a descoberto. A repetição de tal processo permite a construção de frases de sentido mais ou menos direto e compreensível, que formarão a profecia. Existe, também, um meio mais simples, que é o de abrir o livro ao acaso e procurar a resposta para o que se pretende na primeira frase em que o consulente puser os olhos.

BOTANOMANCIA – Adivinhação por meio dos ramos e folhas de verbena e outros vegetais que foram muito usados na antiguidade. Uma das maneiras mais usadas que chegou até nossos dias, e que ainda se pratica, consiste em observar a direção que as folhas das árvores tomam quando arrastadas pelo vento, deduzindo daí as respostas para o consulente.

BRIZOMANCIA – Nome que se costuma dar à arte de interpretação dos sonhos. Vem de brizo, deusa do descanso natural.

CAFEOMANCIA – Os preparativos para se ler o futuro nos restos do café são muito simples: deixa-se depositar no fundo da cafeteira a borra do café, tendo-se o cuidado de retirar todo o líquido. Uma hora depois coloca-se um copo d’água na cafeteira e leva-se ao fogo para esquentar até que a borra se separe da água. Toma-se um prato de louça bem seco ao fogo e, depois de mexer a borra com uma colher, despeja-se nele certa quantidade, de modo que não ultrapasse a metade. Agita-se o prato com a maior rapidez possível em todas as direções durante um minuto e depois joga-se todo o conteúdo num outro recipiente. No prato ficarão apenas restos e partículas de café espalhados de tal maneira que formam uma multidão de caracteres hieroglíficos. Curvas, círculos, ondulações, quadrados e outras figuras que deverão ser interpretadas. Se o número de círculos, por exemplo, mais ou menos perfeitos, sobrepujar as outras figuras, anuncia que a pessoa receberá dinheiro. Se os círculos são poucos, receberá urna quantia pequena. As figuras quadradas significam desgostos na proporção do seu número. As ovais prometem êxito nos negócios, quando bem definidas. Linhas grandes ou pequenas, quando salientes ou múltiplas, pressagiam uma velhice feliz, mas se são em pequena quantidade indicam necessidades e escassez de fortuna. As ondulações ou linhas que serpenteiam anunciam desgraças e sortes entremeadas. Se terminarem docemente, prometem a felicidade depois de alguns pesares. Uma cruz no meio dos desenhos do prato significa uma morte feliz. Quatro cruzes que quase se tocam anunciam que o consulente morrerá entre os 40 e 45 anos, se for mulher, e 48 e 52, se for homem. Três cruzes é sinal de sorte. Se forem muitas, o consultante será religioso depois do ímpeto das paixões e se atormentará com austeridade em sua velhice. Um triângulo promete um emprego honroso, e três, a pouca distância um do outro, são sinal de fortuna. Geralmente esta figura é um bom pressagio: em numero pequeno significa alguma honra. Em grande número, dinheiro. Um ângulo composto de uma linha curta apoiada sobre outra comprida é indício de uma morte desgraçada.

Um círculo de muitas faces, quer dizer, composto de muitos ângulos planos e reunidos, pressagia um casamento feliz. Um retângulo bem distinto é um indício certo de discórdias domésticas. Se estiver rodeado de cruzes, a mulher deixará o lar, com alguma infidelidade. Se forem ângulos, será o marido. Se entre os desenhos do prato se vê uma linha de duas ou três polegadas, menos carregada que o resto das figuras indica viagem. Será longa se a linha se estende. Fácil, se estiver limpa, e perigosa, se estiver atravessada por outras linhas e pontinhos. E se sobressai do fundo do prato, a viagem será a um país estrangeiro.

Um círculo onde se encontrem quatro pontos bem marcados promete um filho. Dois círculos prometem dois, e assim sucessivamente. Se o círculo for quase perfeito, o filho será varão, e mulher se for imperfeito. Se um dos círculos que encerram quatro pontos estiver acompanhado de uma linha curva e ondulante, é presságio infalível que o filho esperado terá talento. E se esta curva forma um segundo círculo, ao redor do qual se enrosca, pode-se ter certeza de que o filho será um gênio de talentos privilegiados.

Se encontrar no prato a figura de uma casa ao lado de um círculo, o consultante pode ter certeza de que terá uma. 0 desenho de um quadrúpede promete miséria e pesar. 0 de uma ave, fortuna e lance feliz. A figura de uma cobra ou qualquer outro réptil anuncia uma traição. A forma de uma rosa promete saúde. E assim uma série de traços, figuras, desenhos e outros sinais que compete ao leitor decifrar com sensibilidade e atenção.

CAPNOMANCIA – Adivinhação por meio da fumaça. Queimavam-se algumas ervas mágicas e o augúrio era obtido pela observação da direção que tomava a fumaça.

CARTOMANCIA – Hoje em dia está muito difundido o costume de se ler o futuro através das cartas. Mas esta arte data do século 12. A origem dos naipes é uma questão de arqueologia muito difícil de ser resolvida, apesar de ter sido tratada com seriedade por muitos sábios. Não há dúvida de que as cartas vieram do Oriente, assim como o xadrez, pois existe entre os dois uma semelhança que não pode ser atribuída ao acaso.

Os naipes iluminados como os manuscritos eram antigamente muito caros. Em 1470, por exemplo, Visconti, duque de Milão, pagou mil e quinhentas peças de ouro a um pintor francês por um jogo de cartas. 0 descobrimento da gravação em madeira propagou por toda a Europa os jogos de cartas. Existem métodos inumeráveis para se lerem as cartas, mas citaremos apenas os mais comuns; para este jogo adivinhatório utilizam-se 32 cartas que são: ás, rei, valete, dama, dez, nove, oito e sete nos naipes de ouros, copas, espadas e paus.

De ouros – Ás: gozo, dinheiro, êxito e boas notícias, quando na posição certa; ao revés, gozo de curta duração. Rei: homem leal e potente; ao revês, homem de boa vontade, mas cheio de contrariedades. Dama: mulher honrada, amorosa e suscetível; ao revés, mulher zelosa e muito cortesã. Valete: enamorado e galanteador; ao revés, embusteiro. Dez: fortuna, êxito e honras; ao revés, debilidade. Nove: dinheiro inesperado e triunfo amoroso; ao revés, presente de pouca importância. Oito: solução vantajosa; ao revés, dificuldades nos empreendimentos. Sete: amores contrariados, cobrança de uma conta esquecida; ao revés, pequeno débito coberto. De copas – Ás: carta amorosa e notícia satisfatória; ao revés, visita de amigo. Rei: homem franco e leal; ao revés, homem avarento e obstáculo imprevisto. Dama: mulher amorosa; ao revés, mulher que oferece obstáculos a um casamento. Valete: militar, ou jovem alegre e simpático; ao revés, militar zeloso ou rejeitado. Dez: gozo, triunfo, surpresa; ao revés, ligeira inquietação. Nove: êxito e satisfação; ao revés, temor pássaro. Oito: triunfo no amor; ao revés, indiferença. Sete: matrimônio e paz no coração; ao revés, angústias.

De espadas – Ás: carta ou notícia próxima; ao revés, notícia desagradável. Rei: militar ou camponês perigoso; ao revés, perigo iminente, discussão com amigo. Dama: camponesa maledicente; ao revés, danos produzidos por calúnia. Valete: notícias mal interpretadas por um mau servidor ou militar de má conduta; ao revés, más notícias. Dez: viagem; ao revés, má viagem. Nove: atraso e contrariedade; ao revés, distúrbios amorosos ou de família. Oito: proteção, êxito nos amores; ao revés, intentona inútil. Sete: boa notícia; ao revés, tagarelice de criança.

De paus – Ás: triunfo e prazer; ao revés, tristeza e má notícia. Rei: homem perverso ou magistrado venal; ao revés, impotência do malvado, processo perdido. Dama: viúva ou mulher abandonada; ao revés, mulher perigosa e equívoca que deseja casar-se novamente. Valete: jovem de má conduta; ao revés, jovem que medita uma traição. Dez: empresa fracassada, prisão ou desgraça; ao revés, prisão passageira ou de pouca duração. Nove: atraso, obstáculo, morte; ao revés, perda de um parente. Oito: doença próxima, má notícia; ao revés, matrimônio fracassado. Sete; penas de pouca duração; ao revés, intriga sem importância.

CATROPTOMANCIA – Adivinhação que se pratica por meio dos espelhos. Por arte e poder dos conjuros, o diabo faz aparecer neles a pessoa e os objetos que se deseja ver. No passado, as bruxas usavam este processo para saber onde estavam escondidos os autores de furtos e mortes. Hoje as ciências ocultas nos falam dos espelhos mágicos como maneira eficaz para investigar o distante e o desconhecido.

CAUSINOMANCIA ou PIROMANCIA – Adivinhação pelo fogo. Na Antigüidade, quando as chamas não consumiam os objetos ou coisas combustíveis nelas lançados durante os sacrifícios sagrados, a oferenda era considerada como bem recebida e de bom presságio.

CEFALOMANCIA – Emprega-se esta arte para um as dúvidas que caem sobre um suspeito de crime. Assava-se uma cabeça de asno sobre brasas evocando os gnomos em alta voz e perguntando se o suspeito era ou não culpado. Se as mandíbulas e a cabeça do asno permanecessem quietas, era indício de que o fato foi fortuito. Caso contrário, o sujeito era culpado.

CERAUNOSCOPIA – Adivinhação que os antigos, praticavam pela observação dos raios e dos relâmpagos e dos trovões, assim como de outros fenômenos do ar.

CEROMANCIA – Liquefaz-se cera virgem enquanto se invocam as salamandras, formulando em seguida as perguntas desejadas. Finalmente, derrama-se o líquido sobre madeira lisa molhada com água lustral. Ao solidificar-se, a cera formará uma série de figuras cabalísticas a serem interpretadas como respostas.

CHAOMANCIA – Arte adivinhatória baseada nos sinais oferecidos pelo ar. Desconhecem-se os detalhes de tal sistema, mas parem constituir-se num segredo possuído por alguns alquimistas, que o aludem com freqüência, mas sem dar maiores explicações.

CLEDONISMANCIA – Sistema adivinhatório baseado nas frases que chegam primeiro aos nossos ouvidos, quando estamos preocupados com um assunto que nos parece duvidoso.

CLEIDOMANCIA – Esta arte, como outras, é o julgamento de Deus para as multidões. É preciso saber quem fez isto ou aquilo? Escreve-se o nome do suspeito num pedaço de papel e enrola-se numa chave que deve ficar pendurada por um pedaço de fita que sai das folhas de uma Bíblia. Uma virgem toma o livro nas mãos e o consultante grita em voz alta o nome escrito no papel. Se a chave girar, o fato suposto é real.

CLEROMANCIA – Maneira de pressagiar que consiste em ajuntar numa caixinha diversas fichas pretas e brancas, ou dados. Lançados sobre uma mesa formam figuras a serem interpretadas.

DACTILOMANCIA – Traça-se sobre uma mesa um círculo ao redor do qual estejam escritas as letras do alfabeto. 0 consultante toma com sua mão esquerda um fio de seda que serve de prumo amarrado num anel previamente consagrado. Apóia-se o coto velo na mesa, fora do círculo, faz-se a invocação das sílfides e formulam-se as perguntas que se quiser. Então o anel, segundo a vontade dos gênios, saltará de uma letra para outra formando as respostas oportunas.

DAFNOMANCIA – Sabe-se que o loureiro é uma arvore sagrada e que produz efeitos opiáceos. Para se praticar a dafnomancia existem dois processos. Um consiste em dar a uma virgem folhas de louro par, mastigar, a fim de se congraçar com os deuses, vindo estes, por seu intermédio, contestar as perguntas que forem feitas. 0 segundo consiste em lançar ao fogo uma rama de loureiro, fazendo-se as perguntas ao mesmo tempo. Se as folhas se queimarem, é um resposta afirmativa. 0 contrario e a negação

EROMANCIA – Um dos seis sistemas de adivinhação que eram mais freqüentes entre os persas. Consiste no seguinte: o consultante tapa sua cabeça e rosto com um pano e segura nas mãos uma vasilha com água. Então formula seu desejo ou sua pergunta. Se a água lhe parecer que está fervendo, é prognóstico de que as coisas sairão bem.

FISIOGONOMIA – Adivinhação de caráter pelas formas do rosto.

GASTROMANCIA – Adivinhação por meio do estômago. Na Idade Média, alguns feiticeiros conheceram a arte de evocar os demônios e fazê-los penetrar em seu estômago, de onde respondiam às perguntas formuladas, sem que o endemoniado movesse os lábios.

GEOMANCIA – palavra composta por Geo, do grego, Terra, e por mancia, também do grego, manteia, adivinhação, ou divinação. Divinação, por sua vez, vem do latim divinale, divino. Ou seja, em sua origem, divinação, ou adivinhação, era algo associado à Divindade, que tudo sabia do passado, do presente e do futuro. Por isso, em seus primórdios, os resultados das práticas divinatórias e os oráculos eram considerados manifestações de divindades, que respondiam a questões que angustiavam seres humanos. Essas consultas aos deuses quase sempre eram realizadas em locais consagrados a uma divindade específica. A geomancia, que surgiu em tempos remotos, possivelmente tenha esse nome não apenas por interpretar marcas feitas no solo, na terra, mas por ser uma das formas de consulta à Divindade da Terra – ou Espírito da Terra.

GEROMANCIA – Esta adivinhação fundamentava-se no exame das vísceras das vítimas. Os que a praticavam eram chamados de arúspices, e o grande Cícero foi um dos que desempenharam esta função.

GRAFOLOGIA – Sistema de conhecimentos pertencente ao quadro das ciências ocultas, que, pelo exame da forma de um escrito, deduz as tendências principais caráter e inclinações – do indivíduo que o fez.

Para proceder assim, a arte grafológica se baseia ou se fundamenta no fato de que, gerando o pensamento da pessoa que escreve, movimentos fisiológicos mecânicos em seu organismo – em perfeita consonância com o seu modo de ser e de proceder -, a escritura, ou melhor, a materialização indelével do caráter do indivíduo, não pode deixar de refletir ao menos o estado psicológico da alma no momento em que escreve; é portanto um reflexo fiel dela.

HIDROMANCIA – Adivinhação por meio da água. Suspendia-se um anel, amarrado na ponta de uma linha, sobre a vasilha com água. Se o anel se chocava várias vezes contra a parede do vaso, era sinal de que o consultante teria êxito na sua empresa. Outros processos também eram usados, como a observação do movimento do mar, dos rios e muitos outros.

ICHTHYOMANCIA – Antigo sistema de adivinhação baseado na interpretação de certos sinais observados nas entranhas dos peixes. 0 célebre Homero fala deste processo que caiu no esquecimento nos tempos de Roma.

LAMPADOMANCIA – Adivinhação por meio das lâmpadas ou lamparinas, nas quais se observam o movimento, a forma e a cor da chama.

LEBANOMANCIA – Os gregos e os romanos dedicavam-se a esta espécie de adivinhação, lançando certos perfumes a um braseiro colocado no altar da divindade que presidiria a operação. Brotava uma labareda mais ou menos densa, que ao levantar-se tomava formas análogas a certas coisas conhecidas, e cuja configuração determinava o conteúdo das palavras augurantes.

LECANOMANCIA – Maneira de predizer o futuro por meio da água, do ouro e de pedras preciosas. Num vaso de mármore, cheio de água e fixo num altar, o consultante colocava lâminas de ouro e pedras preciosas, nas quais tinha gravado antecipadamente caracteres mágicos como os do Zodíaco, ou signos planetários. Então, por meio do livro mágico, do qual recitava algumas palavras terríveis, obrigava os demônios a responder ao consultante. Do fundo da vasilha ouvia-se um silvo semelhante ao de uma serpente.

LITOMANCIA – Adivinhação por meio de pedras que se obtém fazendo com que batam umas contra as outras para deduzir sinais pela intensidade e timbre do som.

NAIRANCIA – Sistema árabe de adivinhação fundamentado nas interpretações obtidas de certos sinais e aspectos do Sol e da Lua.

NECROMANCIA – Processo da magia negra para se obter respostas dos cadáveres ou da cabeça de um morto, e também das almas dos falecidos, por meio de evocações.

NIGROMANCIA – Sistema mágico de encontrar as coisas que estejam ocultas em lugares obscuros, profundos e tenebrosos, como acontece nas cavernas, minas, galerias subterrâneas etc. Para efetuar a operação nigromântica invocam-se as potências infernais propícias para descobrir tesouros e riquezas escondidos sob a terra ou em lugares ignorados, pedindo que os traga ao evocador ou que o guie até eles. A evocação deve ser feita à noite.

OCULOMANCIA – Antigo modo de descobrir os autores de roubos e outros crimes baseado na maneira de olhar do suspeito.

OENISTICIA – Adivinhação realizada interpretando o vôo das aves seguindo determinadas regras.

OFIDIOMANCIA – Adivinhação por meio das serpentes, conforme a sua maneira de rastejar.

OINOMANCIA – Adivinhação por meio do vinho, segundo a qual se deduzem as profecias conforme os caracteres do seu sabor ao bebê-lo e outras circunstâncias especiais. Os persas usavam muito este processo.

OLOLIGMANCIA – Adivinhação que se praticava deduzindo-se os presságios através dos latidos dos cães. Atualmente caiu em completo desuso.

ONEIROCRICIA – Arte de interpretar os sonhos.

ONFALOMANCIA – Sistema de adivinhação por certos caracteres que o umbigo apresenta. As antigas parteiras eram as que mais usavam esta arte adivinhatória.

ONICOMANCIA – Adivinhação por meio das unhas.

ONOMANCIA – Adivinhação baseada no estudo dos nomes das pessoas.

OOMANCIA – Adivinhação que se praticava quebrando um ovo na água. Conforme os desenhos formados pela clara, eram feitas as deduções e previsões.

ORNITOMANCIA – Adivinhação baseada no vôo, canto e chilrear das aves.

OUIJA – Tabuleiro constituído de uma prancheta com o alfabeto e outros símbolos. Usado para manter contato com os espíritos. Ouija é marca registrada.

PALMASCOPIA – Augúrio tirado das palpitações notadas por meio da mão em diversas partes do corpo da vítima dedicada ao sacrifício.

PEGOMANCIA – Adivinhação que se praticava nas fontes naturais de água lançando nela algumas pedras e observando seus movimentos dentro do líquido.

PERATOSCOPIA – Adivinhação baseada no significado atribuído aos fenômenos e coisas extraordinárias que apareciam nos ares.

PHILLORODOMANCIA – Adivinhação por meio das folhas de rosas. Os gregos faziam estalar os círculos feitos com elas sobre o dorso ou sobre a palma da mão, tirando deduções e interpretações do ruído que faziam. Hoje o costume permanece, mas como uma brincadeira infantil.

PSEPHOSMANCIA – Espécie de adivinhação praticada pelos antigos que consistia em deduzir prognósticos através das figuras formadas por algumas pedrinhas escondidas na areia.

QUIROMANCIA – Estudo das condições morais e mentais da pessoa por meio de análise e interpretação da estrutura, forma e aspecto da mão e suas partes, e das linhas, pontos e outras figuras que aparecem se destacando na palma. A reunião dos dados, trazidos por estes caracteres que se relacionam de um modo claro e preciso com as influências e dominações astrológicas e sideromânticas, permite formular os ditames do destino que presidem a vida do consulente e penetrar, por conseguinte, no que lhe tenha reservado o futuro.

QUIRONOMIA – Parte da quiromancia que estuda a mão segundo seus aspectos e sua forma para deduzir caracteres e indicações que complementam, precisam e detalham a análise e interpretação das linhas e outros sinais existentes na palma da mão. A mão é o membro por excelência do homem. A mão da justiça é sinal de soberania. Beija-se a mão dos reis em sinal de submissão, a dos padres e benfeitores em sinal de respeito, e a das mulheres em prova de admiração. Quando alguém quer se casar, pede a mão daquele a quem ama; levanta a mão para reafirmar a sinceridade de suas palavras, e quando reza a Deus cruza as mãos, como se quisesse expressar com esta atitude sua debilidade e pequenez. No Oriente se suspende uma pequena mão de metal em todos os monumentos aos quais se quer preservar de mau-olhado. 0 trabalho manual engrossa as mãos, a ociosidade as afina. Também se considera a mão pequena como indício de mão de raça, e exagerando este princípio, a chamam mão aristocrática, esquecendo que a mão dos rudes e valentes cavaleiros da Idade Média era poderosa, forte e adequada à pesada espada que brandiam. As mãos grandes pertencem, portanto, em geral, aos trabalhadores; entre as pessoas cultas, denotam caráter minucioso e detalhista e indicam força física; largas e grossas são as mãos dos glutões e dos jactanciosos; largas e delgadas as das pessoas destras e hábeis em negócios. A mão grande, com palma compacta e carnosa é, além do mais, sinal de instintos e apetites grosseiros, e ao contrário, a palma pouco desenvolvida indica compleição delicada e gostos, instintos e tendências de imaginação mais elevados. As mãos grossas denotam rudeza de entendimento. As mãos pequenas são de pessoas de natureza afeminada, de imaginação rápida, mas perspicazes e prontas a perceber o conjunto das coisas. As mãos curtas indicam pessoas finas e fortes. “Se as mulheres têm a palma muito curta (diz o espelho da astrologia), é sinal de que vão parir com dificuldade, e as que têm a palma larga e os dedos proporcionais devem ser hábeis em muitas coisas, especialmente em trabalhos de costura.” As mãos peludas – pêlos no dorso da mão, principalmente até sua parte inferior – são sinal de boa compleição, mas se estão desigualmente distribuídos e situados de um lado e de outro é indício de temperamento nervoso e delicado. Uma mão sem pêlos denota natureza fria, presunçosa e indolente. Toda mão seca e dura indica inflexibilidade de caráter, espírito altaneiro e amor à dominação, à atividade e ao positivismo. Esta é a mão dos comerciantes, agentes de negócios e grandes políticos. As mãos moles pertencem às pessoas inclinadas a ociosidade e aos aficionados do prazer fácil, do luxo e da pompa.

Desbarolles classifica à parte uma mão à qual chama de ‘mão de prazer’, “essencialmente voluptosa, preguiçosa mas ardente para os prazeres e apta a desfrutar todos eles. É gorducha, quase inchada; os dedos são lisos e pontiagudos, sem nós e dilatados na base da terceira falange, lugar dos prazeres materiais.

A pele é branca e compacta, com algumas pequenas concavidades; a palma é forte, carnosa; a raiz do polegar (monte de Vênus) é bastante desenvolvida. 0 polegar é geralmente muito curto. “Esta mão, que se colocou entre as mais belas, é a das pessoas aficionadas do prazer e das mulheres que se denominam filhas de mármore”. Esta última atribuição é algo arbitrária; a mão de prazer é a mão típica das mulheres; algumas têm as mãos grandes com dedos espatulados, mas são a minoria. As pequenas mãos rosadas, moles, flexíveis, com os dedos largos e afilados são as mais abundantes na França. Só as distinguimos pelas falanges, que variam segundo as aptidões e caracteres.

Mistério das mãos – Vimos a forma da mão, estudada em conjunto; vamos agora passar aos detalhes. Para isto tomaremos de preferência a mão esquerda, por ser a que está menos sujeita a se deformar com o trabalho ou exercício, e, depois de haver comprovado se é grande ou pequena, grossa ou fina, e que como tal dá uma certa avaliação do caráter do indivíduo, buscaremos a confirmação na forma dos dedos, esperando obter a certeza pela decifração das linhas traçadas nos sulcos da mão.

Sobre os dedos – Os dedos grossos e largos indicam temperamento alcoólatra ou pelo menos de glutão; pequenos e moles são os dos audazes e invejosos; pequenos e finos são os das pessoas perspicazes e engenhosas; muito unidos uns aos outros, denotam mão de adulador e cortesão; quando se movem facilmente até atrás, é sinal de lealdade e retidão; os dedos que se cerram naturalmente em garras são os das pessoas finas, cautelosas e demandistas. As unhas compridas e largas e de aparência, vermelhada anunciam bom temperamento; estreitas e pálidas indicam saúde delicada; arqueadas são sinal de inteligência; planas, de valentia e bestialidade. As mãos se classificam em três categorias: – com dedos lisos e pontiagudos – mãos com dedos lisos e terminados em espátula ou quadrados mãos com dedos nodosos e terminados pelo regular quadrado ou em espátula (as mãos com dedos nodosos e pontiagudos são raras exceções). Vamos então examinar estas diferentes formas de dedos, cada uma das quais denota um tipo moral. As mãos com dedos pontiagudos e lisos são as dos poetas e artistas. As mãos nodosas com dedos quadrados são as dos oradores, advogados, médicos, comerciantes e positivistas. As mãos com dedos espatulados e nodosos são de guerreiros, engenheiros, mecânicos, trabalhadores hábeis e gente de ação. É bom advertir que só indicamos os tipos exclusivos, e que naturalmente alguém que reúna atitudes diferentes pode oferecer um conjunto, mais ou menos delineado de sinais opostos. Sucede as vezes que os cinco dedos da mão são de forma idêntica; somente o indicador pontiagudo indica, nos banqueiros, por exemplo, o gosto pelas artes e pela poesia; o mínimo espatulado e dilatado, nos artistas, denota tristeza, melancolia e tendência ao suicídio. Em geral, os dedos grossos na base denunciam gostos materiais, o amor aos prazeres dos sentidos.

Sobre as falanges – Cada dedo consta de três falanges. As do polegar têm importante significação. A primeira, que forma a base, é a da paixão; quanto mais desenvolvida for, mais estará a pessoa dominada pelo amor sensual. A segunda é a do raciocínio e da lógica, e quanto maior mais indicativa. Enfim, a primeira (que se considera a terceira em quiromancia, pois os dedos partem da mão), que é dita a falange armada de unha, é a da vontade. Quem possui esta falange comprida e a segunda curta, possui mais vontade que raciocínio e lógica, e vice-versa. Nos outros dedos as falanges compridas na raiz indicam que as qualidades do coração são mais desenvolvidas que as da convicção; as baseadas no raciocínio, tais como a ordem, a economia, a honradez, se traduzem pela segunda falange mais comprida que as outras; a falange da unha, grande, indica qualidades de engenho e inteligência.

Sobre os nós e uniões dos dedos – Passemos agora aos nos que existem nas uniões dos dedos. 0 nó que se coloca no nascimento do dedo se chama nó do coração; o do meio do dedo, nó da cabeça, e o mais próximo da unha, nó da inteligência; o polegar só tem dois nós, o nó do raciocínio e o nó da força, este mais próximo da unha. 0 nó do coração bem aparente e saliente indica caráter inclinado a obedecer a suas paixões e a se deixar dominar por elas; são pessoas prontas a entusiasmar-se e a se sacrificar por um partido. Este nó denota irreflexão, ardor correto e temperamento fogoso. É seguramente a mão dos regalados, dos jogadores, dos bêbados e dos glutões, onde se encontra habitualmente o desenvolvimento excessivo deste nó. 0 nó da cabeça é quase seguramente encontrado nas pessoas aficionadas a cifras e cálculos; como sinal característico indica as virtudes da ordem, da previsão, mas ao mesmo tempo os defeitos inerentes a estas qualidades, isto é, avareza, egoísmo, insensibilidade etc. 0 excesso do nó, mostrando o exagero do sentimento de economia, por exemplo, a parcimônia e a avareza. 0 nó da inteligência existe habitualmente no dedo das pessoas que se dedicam a lutar; os advogados; entre os artistas, os atores; muitos médicos; os filósofos os retóricos, os argumentadores, as pessoas de ideais de independência e liberdade excessivas. Com os nós da inteligência e da cabeça reunidos sobressairá a ordem simétrica, a pontualidade, mas como qualidade reconhecida, tendência do lógico, baseando todos os seus atos na ciência e na razão. Os dedos sem nó são indícios de caráter oposto, isto é, que agem sempre por inspiração.

Terminemos este estudo dos dedos por esta passagem do capitão D’Arpentigny, que dedicou toda a sua vida ao estudo da mão. “A confiança que têm em si mesmo os homens de dedos espatulados é extrema; a abundância é seu objetivo. Possuem instinto e um sentimento positivo da vida no mais alto grau; e reinam, pela inteligência que têm, no mundo das coisas e interesses materiais. Aficionados ao trabalho manual, à ação, dotados por conseguinte de sentidos mais ativos que delicados; a constância no amor lhes é mais fácil que aos corações inclinados à poesia, nos quais; influi, mais que o dever e o costume, a juventude e a beleza.” Enfim, acrescenta Desbarolles: “Os de dedos pontiagudos não serão ordenados. Os de dedos quadrados amarão o espetáculo da ordem, porém não terão ordem; concordarão com a aparência mas não quererão olhar dentro de seus próprios armários. Os de dedos espatulados contrairão um compromisso entre a ordem e o espetáculo da ordem; concordarão as vezes por amor ou necessidade de movimento”. Esta genialidade humorística é algo exagerada, mas explica perfeitamente o significado da mão ( La Quiromancia , por Gourdon de Genouillac; tradução de Conabirse. Biblioteca da Irradiação).

RABDOMANCIA – Adivinhação por meio da varinha de adivinhação.

RHAPCODOMANCIA – Adivinhação que se praticava, abrindo casualmente um livro de poesia e tomando as primeiras palavras vistas pelo consultante como sendo a resposta para suas perguntas. Geralmente usavam-se nesta adivinhação as obras de Homero e de Virgílio.

SCIAMANCIA – Sistema divinatório baseado na evocação das sombras dos mortos. Diferencia-se da necromância e da psicomancia pelo fato de que não é a alma ou corpo do defunto que dá as respostas, mas uma sombra ou simulacro do falecido.

SIDEROMANCIA – Conjunto de conhecimentos que englobam o estudo dos corpos celestes, seus movimentos e posições em relação à Terra, e do influxo que possam exercer sobre as pessoas e coisas terrestres. A sideromancia estuda o céu, como os caldeus e os egípcios o estudaram, de um modo integral, que compreende o aspecto astronômico e astrológico. Nos tempos remotos da civilização caldéia e das iniciações druídicas, astronomia e astrologia eram uma só coisa, tendo como base idêntica o estudo das verdades físicas e matemáticas; mas a astronomia de então não só estudava aquilo que chamamos de aspecto puramente científico, como também procurava suas relações com a vida universal e sua influência nos problemas da existência orgânica. E condicionando o saber no segredo dos colégios iniciáticos, somente saía fora deles a parte puramente astronômica, ficando escondida no mistério daquelas escolas sacerdotais toda a parte concernente aos estudos de predição metereológica do tempo e à astrologia.

SPODOMANCIA – Sistema divinatório que se praticava na Antigüidade por meio de cinzas procedentes das fogueiras dos sacrifícios.

TEOMANCIA – Parte da cabala que estuda os mistérios da divindade e os contidos nos nomes sagrados. Supõe-se que o seu conhecimento seja de tanta importância que os rabinos dizem que Moisés fez todas aquelas maravilhas graças ao seu profundo conhecimento da teomancia.

XILOMANCIA – Sistema divinatório que usava pedaços de madeira para fazer as previsões. Está em completo desuso.

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