Jogada ao mar para que morresse de sede e fome, sobreviveu à dores, ao cansaço e ao sofrimento. Assim, esta cigana tornou-se mártir de nosso povo.
Perseguições, injustiças e dificuldades mil, sãos as marcas de um povo que transcende o tempo e os continentes. Preconceitos, maledicências e outras formas de discriminação, marcaram a trajetória do povo de Santa Sara.
Outrora éramos todos nômades. Hoje, alguns de nós que se sedentarizaram, não são reconhecidos por todos como ciganos. Questionam até a pureza de nosso sangue.
Entretanto, o sangue que o povo do Oriente disseminou pela Europa, inclusive na península ibérica, chegou às Américas e faz parte das raízes de muitas famílias do nosso Brasil.
Em razão disso, esse sangue cigano se encontra nas bases da árvore genealógica de muitos neste mundo.
Santa Sara, nossa padroeira, olha por todos; sejam gadjês* ou calons*; especificamente por aqueles que sofrem perseguições e padecem de injustiças.
Sua oração é milagrosa, uma vez que invocada, faz com que os ciganos entrem em contato com sua ancestralidade e seus pedidos são levados à Sara, que intercede junto à Deus.
Sejam ciganos de sangue ou de alma; basta pedir que Santa Sara enviará seus discípulos, nossos irmãos do astral, para nos ajudar.
Questiona-se muito, o que vem a ser “cigano”.
Alguns crêem na concepção equivocada de que cigano é somente aquele que carrega puro sangue nas veias. Na verdade, a ancestralidade transcende os domínios da carne, principalmente em um mundo onde todos estão interligados, formando um só corpo.
Esses fatores (sangue) são irrelevantes, ao passo que o que há de eterno é apenas a alma. Assim sendo, um cigano de alma é um cigano de fato.
Estes são os requisitos que nossos antepassados exigem para sermos ciganos: a alma e o coração.
Navegue em sua alma, rumo ao íntimo de seu coração e encontrarás ali uma porta aonde Santa Sara poderá chegar até você.
Seja como for, que Sara, nossa amada santa cigana, ilumine a todos os ciganos de sangue, de alma e aos gadjês de bom coração.
Ronaldo Figueira