Meus caros amigos venho, com muito prazer, relatar uma experiência que há poucos dias aconteceu comigo.

Cansado de muitas situações estressantes, resolvi sair para um retiro espiritual. Fui a um mosteiro localizado no interior do Paraná.

Vivi muitos momentos de paz e reflexão. Entendi que quando se está só, a voz do Grande Mestre é mais latente em nossos corações. Os compromissos do dia a dia, o agito de uma rotina de trabalho estudo, família, consomem uma grande carga energética, de modo que precisamos, algumas vezes, parar tudo que estamos fazendo e olharmos para nosso interior.

Do muito que aprendi em tão pouco tempo, gostaria de destacar uma conversa que tive com um monge.

Caminhamos, dentro das dependencias do mosteiro, por uma estrada em direção a um lago. A medida que caminhávamos, o monge, nos momentos mais relevantes da conversa, parava e olhava para mim.

Disse-me que crê em um Cristo “místico”, isto é, naquele que opera milagres, ressucita os mortos, transforma água em vinho, etc.

Embora tenha discordado de mim quanto ao fator reencarnação, compreende que a vida eterna começa aqui na Terra. Falou-me que há dois mundos e precisamos estar atentos aos sinais, pois o outro mundo também é aqui. Em sua visão, a carne é uma prisão e precisamos nos libertar dela.

De fato, o cotidiano das grandes cidades faz com que concentremos nossas forças em projetos de ordem material e mesmo orando e meditando em alguns momentos do dia, nos distraímos, não captando as mensagens e sinais que nos são mostrados o tempo todo.

Muito comum nos arrependermos de coisas que fizemos, ou que deixamos de fazer por não ouvir essa voz interior que sutilmente nos aconselha, mas nem sempre estamos atentos para ouví-la.

Falar sobre a carne, a matéria, o corpo físico, enfim; para consentir que este corpo é uma prisão, precisamos desenvolver uma consciência cósmica, de modo que os ideais espiritualistas falem mais alto que os desejos de uma vida que se volta à aquisição de bens materias, cargos e posição de destaque na sociedade. Um monge possui outros valores; seus tesouros estão em outro mundo.

Não quero dizer que todos nós devemos viver como monges; não. Cada um possui sua missão neste mundo e todos são importantes, uma vez que “Todos Somos Um”, mas o que não pode haver é um apego excessivo aos valores materias.

De tudo isso nós sabemos, consentimos e aceitamos. Entretanto por qual motivo pensamos que a carne é a essência de nosso ser?! Isso ocorre, a meu ver, pelo fato de querermos externar nossas emoções. Queremos ser e estar cada vez mais extrorvertidos, viver uma vida extrorvertida, interagir cada vez mais com o ambiente a nossa volta. No entanto interagimos pouco com nosso “eu” interior.

Quanto ao Cristo, em uma sociedade de maioria cristã, basta lembrar que ele, quando ia orar, subia nas montanhas, buscava o silêncio. Retirava-se para estar mais forte e revigorado para cumprir sua missão.

Ao final do retiro, me despedi do monge e ele aproveitou para me dar mais conselhos. Mas estes ficarão para os próximos artigos.

Um grande abraço a todos.

Ronaldo Figueira